HISTÓRIA
Conheça a história da Fazenda Alliança

Hoje, a sede está toda restaurada pela proprietária da fazenda, arquiteta e de família com tradição em arquitetura. O conceito de sustentabilidade e preservação foram os pilares das reformas da antiga sede e das novas construções rurais. No aprisco dos carneiros, na ordenha das búfalas e no galpão de maquinário foram utilizados materiais sustentáveis: reciclado de pet (madeira plástica), telhas de reciclado de TetraPak, bambus e outros a serem descobertos nas visitas e hospedagens.

Joaquim José Pereira de Faro, português de Braga, emigrou para o Brasil em 1793 e no Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Pertencia à corte de D. João VI e D. Pedro I e foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 1841.

No início do século XIX, fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba; teve nove filhos e quatro desses estabeleceram-se em fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que, seguindo os passos do pai, alcançou grande projeção social na Corte e foi o segundo Barão do Rio Bonito, fundou a Fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant’ Anna.

Outro filho importante foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, senhor da sesmaria sobre-quadra da Fazenda Sant’Anna, onde fundou a Fazenda Boa Esperança, em 1861. No ano de 1864, Barra do Piraí foi o maior entroncamento ferroviário do Brasil e ganhou na disputa com Vassouras por esta implantação.

A Fazenda Boa Esperança foi vendia por Luiz para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança. Homem culto, de ideias liberais, estudou na Europa. Quando voltou dos estudos, se ocupou da vida rural desde os 20 anos de idade e voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Benedito de Barra do Piraí. Construiu nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna, em 1881.

José Pereira de Faro adquiriu a Alliança, sua fazenda de trabalho, e vivia na Fazenda Sant´Anna. A Alliança foi comprada já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis etc. A partir desta data, José iniciou obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros – e fazendo melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico de estilo neoclássico é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocado o ano do fim da obra, 1863.

A sua linha de produção era muito cuidadosa, buscava sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu Medalha de Ouro e Menção Honrosa. Na Exposição Internacional de Londres, realizada em 1862, foi agraciado com a Medalha de Primeira Classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito, foi agraciado com a Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo A Vida Fluminense, da Folha Illustrada de 1871. Em 1873, auge da sua projeção social, foi agraciado com o título de terceiro Barão do Rio Bonito.

Em 1882, quando D. Pedro II visitou a Fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário, que se encontra no Museu Imperial:

“… o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café, cuidando de fazê-lo para os terreiros, por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.

A Fazenda Alliança não foi a sede residencial da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a mais importante fazenda produtiva da família. Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra impressionam pela vastidão. A casa sede da fazenda apresenta características arquitetônicas herdadas dos antigos engenhos de açúcar, o que a torna peculiar, e revela um gosto simples, porém original, e a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do Café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravizados e empregados.

Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil. Três anos mais tarde, a Abolição da Escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores. O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo.

A Fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e D. Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de 70 anos em posse dessa família. Os herdeiros de D. Fernanda venderam a Alliança à Sra. Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.

Em 2007, Josefina Durini compra a fazenda Alliança e a transforma na “Fazenda Alliança Agroecológica” uma fazenda produtiva que se tornou referência em produção orgânica. Josefina Durini resgata a fazenda a sua condição inicial de fazenda produtiva e sustentável com o leite orgânico de búfala, a horta, os pomares orgânicos e o Café Durini.

O Café Durini faz a fazenda voltar à sua origem cafeeira, porém com conhecimento e consciência de técnicas agroecológicas, de bem-estar e valorização dos trabalhadores das lavouras e busca de know-how por um café de excelência. Assim, surge o lema da fazenda: “Aprender com o passado, vivenciar o presente e construir o futuro”.

© Fazenda Alliança Agroecológica 2020