Apresentação e História

Apresentação

A Fazenda Alliança é uma fazenda histórica dos tempos áureos do café no século XIX, hoje é uma fazenda produtiva agroecológica e orgânica certificada pela Ecocert há 5 anos.

A Fazenda Alliança  vai proporcionar ao público visitante uma experiência do passado e do presente através de múltiplos sentidos:

  • A observação das búfalas;
  • A vida silvestre dentro de uma natureza preservada;
  • A degustação dos produtos orgânicos da fazenda;
  • A beleza dos interiores e a restauração efetuada durante 4 anos;
  • Os cheiros vindos da horta e do pomar histórico com a exalação do odor de cravo da índia vindo das arvores centenárias, o toque das arvores de fruto,
  • A observação dos antigos maquinários na tulha, dos troncos das arvores, as cantarias e as madeiras centenárias;
  • A Sede histórica, circuito de café e produção agropecuária agroecológica são instrumentos de educação do ponto de vista histórico, social, econômico e ambiental.

“Colha na horta e pague”, colha os alimentos, faça a sua cesta e leve para casa um alimento orgânico e saudável que vai  alimentar o corpo e a alma!

Seja muito bem-vindo!

Missão e Valores

  • Despertar a consciência do patrimônio natural;
  • Despertar a consciência do patrimônio histórico;
  • Sustentabilidade das construções;
  • Preservação dos solos,  minas de água, floresta, fauna e flora;
  • Praticar uma agricultura e pecuária orgânicas e sustentáveis;
  • Despertar a consciência para a alimentação saudável através do consumo de alimentos orgânicos e de origem;
  • Replantar o café sombreado na mata aproveitando a cultura remanescente ainda existente;
  • Criação de um modelo de sustentabilidade que possa ser reproduzido em outras fazendas.

Nosso diferencial

  • Fazenda histórica e produtiva;
  • Fazenda orgânica certificada pela ECOCERT há 5 anos;
  • Única fazenda com leite orgânico de búfala no Estado do Rio de Janeiro;
  • Todas as construções rurais são de materiais recicláveis e de bambu proveniente da fazenda;
  • Fazenda histórica, com um pomar histórico com árvores exóticas, matas conservadas e café sombreado na mata ainda remanescente do século XIX;
  • Envolvimento com a comunidade para a prestação de serviços;
  • Imersões temáticas;
  • Visão holística;
  • Reaproveitamento de materiais reciclados nas obras, na culinária e e na agropecuária;
  • Local para degustação de café especial;
  • Espaço de memória do café com museografia atual e espaço para realização de eventos;
  • Circuito da chegada do café preservado e original desde a sua construção no século XIX;
  • Gastronomia desenvolvida com os produtos orgânicos da fazenda e da região;
  • O visitante vai à horta e pode comprar os seus alimentos colhendo-os diretamente, faz a sua cesta e leva para casa um alimento orgânico e saudável que vai lhe alimentar o corpo e a alma!

Arquitetura e Restauração

O conceito arquitetônico adotado pela arquiteta e proprietária Josefina Durini, é baseado em duas vertentes: a restauração histórica e a sustentabilidade das construções.

Adquiriu o gosto e a formação em restauração de patrimônio por influência de sua família que sempre foi ligada a grandes obras de restauração e a parte de sustentabilidade, da sua formação empresarial aliada a vários cursos de formação.

Josefina Durini restaurou e reconstruiu a sede durante 4 anos reutilizando na maioria das vezes materiais existentes na fazenda.

As construções agrícolas e pecuárias, como canteiros da horta, ordenha das búfalas, aprisco dos carneiros, galinheiro, além de outras, são construídas em material reciclado como madeira plástica de PET,  telhas de Tetrapack e materiais renováveis como  o bambu da própria fazenda.

A Arquiteta Josefina Durini concebeu o projeto de restauração e coordenou as obras e utilizou a mão de obra local para a execução do projeto.

A arquitetura de interiores da fazenda assim como a decoração é toda projetada por Josefina e o acervo existente é proveniente do acervo familiar e garimpado em inúmeras viagens pelo mundo!

História

Joaquim José Pereira de Faro, português de Braga emigrou para o Brasil em 1793 e no Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados, pertencia à corte de D. João VI e D. Pedro I e foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 1841.

No inicio do século XIX, fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba, teve nove filhos e quatro desses estabeleceram-se em  fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que, seguindo os passos do pai, alcançou grande projeção social na Corte e foi o segundo Barão do Rio Bonito, fundou a Fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant’ Anna.

Outro filho importante foi Luiz Pereira Ferreira de Faro que foi senhor da sesmaria sobre-quadra da Fazenda Sant’Anna, onde fundou a Fazenda Boa Esperança em 1861. No ano de 1864,  Barra do Piraí foi o maior entroncamento ferroviário do Brasil e ganhou na disputa com Vassouras por esta implantação.

A Fazenda Boa Esperança foi vendia por Luiz para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança. Homem culto, de idéias liberais, estudou na Europa, mas quando voltou se ocupou da vida rural desde os 20 anos de idade e voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Benedito de Barra do Piraí e construiu nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna em 1881.

José Pereira de Faro adquiriu a Alliança que era uma fazenda de trabalho e vivia na Fazenda Sant´Anna. A Alliança foi comprada já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis etc. A partir desta data, José iniciou obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros – e fazendo melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico de estilo neoclássico é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocado a data do fim da obra, 1863.

A sua linha de produção era muito cuidada, buscava sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu Medalha de Ouro e Menção Honrosa. Na Exposição Internacional de Londres, realizada em 1862, foi agraciado com a Medalha de Primeira Classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito, foi agraciado com a Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo A Vida Fluminense, da Folha Illustrada de 1871. Em 1873, auge da sua projeção social, foi agraciado com o título de terceiro Barão do Rio Bonito.

Em 1882, quando D. Pedro II visitou a Fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário, que se encontra no Museu Imperial:

“… o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café, cuidando de fazê-lo para os terreiros, por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.

A Fazenda Alliança não foi a sede residencial da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a mais importante fazenda produtiva da família. Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra impressionam pela vastidão, a  casa-sede da fazenda apresenta características arquitetônicas herdadas dos antigos engenhos de açúcar, o que a torna peculiar, e revela um gosto simples, porém original, e a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do Café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravos e empregados.

Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Três anos mais tarde, a Abolição da Escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores. O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo.

A Fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e D. Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de 70 anos em posse dessa família. Os herdeiros de D. Fernanda venderam a Alliança à Sra. Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.

Em 2007 Josefina Durini compra a fazenda Alliança e a transforma na “Fazenda Alliança Agroecológica” uma fazenda produtiva que se tornou referência em produção orgânica. Josefina Durini resgata a fazenda a sua condição inicial de fazenda produtiva e sustentável com o leite orgânico de búfala, a horta e o pomar orgânicos.

A atual proprietária Arquiteta Josefina Durini, especializada em restauração e sustentabilidade, argentina de nascimento e de origem italiana é hoje naturalizada brasileira e tem uma importância extrema no resgate da fazenda Alliança como fazenda produtiva.

Viveu 8 anos e meio em Londres, onde foi proprietária da  primeira galeria de arte latino- americana.

Toda a sua família é relacionada às artes, sua mãe foi uma arquiteta pioneira em restauração de casas coloniais em Buenos Aires. Pelo lado materno o seu avô trabalhava diretamente com o Vaticano através  da  companhia  “Santeria Pontifícia Luigi Barra”, especializada em construir interiores de Igrejas, onde algumas peças do acervo da companhia podem ser vistas na fazenda.

Pelo lado paterno, a família Durini foi mecenas das artes em Itália através da Fundação Durini que se mantem até hoje em atividade. Como curiosidade podemos citar que um ancestral, o “Cardeal Durini” introduz em seu palácio por volta de 1770, no norte da Itália, o uso cotidiano do café, servindo ali a primeira xícara de café a qual chamaram de chá preto francês.

Arquitetos e escultores um ramo da família Durini migraram da Itália para o Equador, Peru e América Central onde fazem obras importantíssimas como o Teatro Lírico de San Jose de Costa Rica.

O outro ramo da família vai para o  Uruguai e Argentina do qual Josefina descende diretamente e seu bisavô arquiteto faz inúmeras obras em Buenos Aires.

Até hoje Josefina perpetua os ensinamentos familiares e restaura a parte histórica da sede e do circuito do café. Preserva a fazenda Alliança com 43% de Mata Atlântica, transformando em uma fazenda produtiva, orgânica com princípios biodinâmicos e sustentáveis.